As 3 etapas-chave para construir uma Carta Municipal de Habitação eficaz e mobilizadora

02-04-2025

A Carta Municipal de Habitação (CMH) é mais do que um documento técnico: é um instrumento estratégico que define a visão, os objetivos e as soluções para responder às necessidades habitacionais locais. Mas para que cumpra esse papel transformador, é essencial que seja bem conduzida desde o início — com rigor técnico, envolvimento dos atores locais e capacidade de mobilização de recursos.

Com base na experiência da GestPub, identificamos três etapas-chave para garantir uma CMH eficaz, realista e alinhada com as prioridades nacionais e europeias.

1. Diagnóstico participado e territorializado

A primeira etapa deve ir além da análise estatística. É fundamental:

  • Integrar dados quantitativos e qualitativos, com leitura crítica do território;
  • Identificar com clareza as carências habitacionais, tipologias de população em situação de vulnerabilidade e zonas prioritárias de intervenção;
  • Promover momentos de escuta ativa com juntas de freguesia, IPSS, associações locais, promotores e cidadãos;
  • Analisar os instrumentos de planeamento territorial e estratégico já existentes (como o PDM e as Estratégias Locais de Habitação – ELH), garantindo coerência e articulação entre documentos.

Um diagnóstico bem feito não é um fim — é o ponto de partida para decisões orientadas para o impacto.

2. Definição de objetivos e soluções operacionais

A Carta deve traduzir-se numa estratégia clara e exequível, com:

  • Eixos estratégicos concretos, ligados a soluções habitacionais específicas (construção, reabilitação, arrendamento acessível, etc.);
  • Identificação de beneficiários diretos, parcerias e sinergias locais;
  • Articulação com fontes de financiamento, incluindo o PRR (1.º Direito), o PT2030 e outras linhas de apoio habitacional;
  • Um quadro de ações priorizadas, com metas temporais e indicadores de monitorização.

A CMH tem de ser uma ponte entre o que o município precisa e o que pode efetivamente fazer — com apoio técnico e financeiro adequado.

3. Mobilização institucional e implementação dinâmica

Uma CMH bem construída não se limita ao papel:

  • Deve ser assumida politicamente e tecnicamente como um guia de atuação;
  • Precisa de envolver os serviços municipais, os parceiros locais e os beneficiários;
  • Exige monitorização contínua e flexibilidade de adaptação, à medida que os contextos mudam;
  • Ganha mais força quando articulada com a Carta Supramunicipal de Habitação, garantindo coerência intermunicipal.

Na GestPub, acompanhamos a elaboração de várias CMH, promovendo processos participados, orientados à ação e integrados nos ciclos de financiamento disponíveis. O nosso foco está sempre na criação de soluções que funcionem — no terreno e na vida das pessoas. 

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